terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Preparados para tudo

Desde há alguns anos que respondo da mesma forma à pergunta: “afinal, és a favor ou contra a saída do euro”. A minha resposta é: temos de estar preparados para tudo. “Quer dizer que és a favor da saída do euro?”. Não, sou a favor de que estejamos preparados para tudo. “Então, achas que sair do euro é indesejável?”. Acho que os custos imediatos de uma saída podem ser muito elevados, mas quanto melhor preparados estivermos menores serão, caso se conclua que essa é a melhor opção a prazo. “Ah, então achas que devemos sair do euro!”. Não, acho que devemos estar preparados para tudo. E ainda não estamos.

11 comentários:

PortugalBipolar disse...

Isto em 2015 vai ser um pagode pegado...

Anónimo disse...

Se não é a favor nem contra, está a abster-se ou a dizer que não é a favor nem contra provavelmente porque há muita incerteza em comparar os custos das opções que se podem tomar. O que é sensato, apesar de não haver real tomada de posição. Mas de facto, estar preparado e ter uma classe política preparada para isso seria muito importante.

Ricardo Paes Mamede disse...

Não se é a favor ou contra uma mudança de regime monetário no abstracto.

É cada vez mais claro que a actual arquitectura macroeconómica da zona não serve os interesses de economias como a portuguesa. Sem uma alteração dessa arquitectura, Portugal irá ser para o conjunto da UE o que o sul de Itália é para aquele país.

Dito isto, há múltiplas formas de alterar a actual arquitectura do euro, incluindo múltiplas formas de proceder a uma saída. Ou seja, discute-se a saída - suas vantagens e riscos potenciais - no concreto, e não no abstracto.

Não creio que a saída do euro deva constituir a base de um programa eleitoral neste momento, mas acho que nenhum partido responsável e coerente pode eliminar essa possibilidade - nem deve fazer da permanência do euro uma razão essencial da sua governação. Nem deve deixar de preparar o país para um tal cenário (entre outros possíveis).

Jose disse...

Falando claro:
Estar preparado para tudo significa fazer as reformas que garantam a permanência no euro, ou seja, garantam a competitividade tendo o euro por moeda.
A saída do euro significará o falhando nessa preparação para tudo!
Sair do euro não requer preparação, ninguém se prepara para partir as duas pernas.

Ricardo Paes Mamede disse...

E alguém se prepara para morrer de morte lenta e dolorosa?

Jose disse...

Tudo pode acontecer a quem não fala claro...

Anónimo disse...

A morte lenta e dolorosa
às mãos do komandatur europeu

Claro que há quem ameace com uma morte rápida às mãos dos sicários se não seguirmos os passos que passos segue atrás de Merkel.

Tudo pode acontecer,dirão

De

Aleixo disse...

É verdade que estamos num blogue de Economia mas, o cerne da questão, é político:

- que DEMOCRACIA?

A vontade Soberana, só pode ser limitada pela Consciência.

O refinado da "coisa", está na "arte" de atribuir boas intenções,

a BLINDAGENS subtis (?!) que, têm por objectivo único...

defender os interesses instalados.

Eu lá quero saber do euro ou meio euro!

Nem me perguntaram, se eu o queria!

O QUE EU QUERO É...

DECIDIR!

Jose disse...

Aleixo,
Se foras tirano não teruas diferente ambição, com a vantagem de que essa tua consciência derrotaria tudo que não se opusesse com força bastante.
Assim, mede quanta força tens para decidir utilmente.
O que distingue a consciência e desejo é que a primeira avalia e incorpora a viabilidade do segundo.
Sendo esta a minha boa acção do dia...vou almoçar.

Antonio Cristovao disse...

Talvez a sorte nos traga uma imagem aproximada do que nos aconteceria se saíssemos do euro, sem pagarmos a factura(pesada) para assistir ao filme.
Se tudo correr como se encaminha veremos com os gregos(para quem não conhece, tirando a língua sentimo-nos lá como aqui) o que nós poderíamos estar a passar se tivéssemos um presidente da republica como eles e uns partidos que batem o pé aos credores e zelam pela independência nacional. Melhor que isto nem a pedido- podemos continuar a debitar teorias sem correr o risco delas acontecerem.

Anónimo disse...

Sinceramente não é possível.

Confundir os desejos de decidir de Uma Pessoa, com as decisões dum tirano, que se sobrepõem a muitas pessoas é um insulto para quem manifesta o desejo mais do que legitimo de.

É um insulto à inteligência os demais

Mas é sobretudo escamotear o essencial do post de Aleixo.É que ninguém nos consultou sobre euro ou meio euro.E é entre os troikistas e as hostes austeritárias que se reconhece tal cerceamento à consulta popular.

E tal perplexidade é acentuada pela insinuação do "uso da força" como meio para decidir" quando o que está precisamente em causa é precisamente o contrário e o zurzir na cangalhada da governança europeia, com o apoio submisso, sabujo, reles e rasteiro da governança portuguesa, pelo uso da força como meio para silenciar a vontade dos que de facto deviam decidir.

A inversão dos dados é paradigmática duma forma de estar. Que nem o primitivismo e as puerilidades sobre a consciência e o desejo e a avaliação e a incorporação (!) conseguem apagar

De