quarta-feira, 3 de maio de 2017

Já não vos vemos gregos

Por cá já quase ninguém fala sobre a Grécia, o que é até certo ponto compreensível, já que a situação é demasiado deprimente e desesperançada desde a rendição, uns meses depois de terem chegado ao governo, dos que chegaram a passar brevemente por libertadores. O que é incompreensível é que depois da Grécia ainda haja, à esquerda, quem mantenha ilusões europeístas. Nesta ideologia, é tudo uma questão de adaptação das expectativas políticas, até já só se conseguir pensar nos termos fixados entre Bruxelas e Frankfurt. Abertos versus fechados é a nova versão da pós-verdade europeia, reciclando temas neoliberais desde a origem, nos anos trinta e quarenta, desta ideologia.

Entretanto, há mais um tijolo de legislação neoliberal que terá de ser aprovado, em troca de uma nova tranche para impedir o incumprimento face aos credores. E mais austeridade, sempre mais austeridade. O governo grego é agora um aluno cada vez melhor de mestres cada vez piores, para adaptar uma fórmula do saudoso Medeiros Ferreira: os superávites orçamentais primários aí estão. As pensões, que já foram cortadas doze vezes em meia dúzia de anos, num total de 40%, sofrerão mais cortes, por exemplo. A privatização de sectores estratégicos continua.

A economia teve nestes anos uma evolução pior do que a registada pelas economias mais violentamente atingidas pela Grande Depressão iniciada em 1929, como também lembra o The Guardian. Pelo menos nessa altura o Padrão-Ouro revelou ser menos resiliente do que o Euro, o que foi decisivo na recuperação então registada.

Tudo se faz agora em nome da reestruturação da dívida, que há-de chegar, uma vez mais, nos termos e nos tempos dos credores. Politicamente, na Grécia, não parece haver alternativa por muitos e maus anos. Obviamente, o desenlace grego teve impactos fora da Grécia ou não fosse esse um dos objectivos de quem comanda esta perversa e poderosa economia política.

17 comentários:

Jose disse...

40% nas pensões?
Parece uma boa ideia para a nossas mais ricamente majoradas pensões.

Os gregos pelo menos tiveram a sensatez de admitiram que andaram décadas a abandalhar tudo o que pode referir-se como 'sã organização económica e social'.

Anónimo disse...

"As pensões, que já foram cortadas doze vezes em meia dúzia de anos, num total de 40%, sofrerão mais cortes, por exemplo. A privatização de sectores estratégicos continua."

A indecência aos olhos de todos, nenhum cidadão digno pode olhar para o que se passou e para o que se passa na Grécia com indiferença, aquilo é a demonstração inequívoca da vergonha que é esta Europa. Terrorismo, sim terrorismo, é disso que se trata, e mais uma vez por esta Europa fora tudo o que ouvimos é um ensurdecedor silêncio...

Uma em cada duas famílias na Grécia não têm nenhum membro da família a trabalhar, pensem nesta tragédia.

Jaime Santos disse...

A questão é sempre qual a alternativa. E se olharmos para quem a defende percebemos duas coisas. Nada é claro a nível de políticas, tudo se resume a argumentos de ordem moral, que mais não mostram do que a total falta de armas para romper de facto com o estado de coisas. Depois, as companhias mantidas por quem defende tais alternativas também não são as melhores, olhe-se para uma Venezuela em que 80% das famílias estão reduzidas à pobreza. A resposta vem rápida, ah isso é lá e não cá... Pois, pois, mas diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és...

José Peixoto disse...

A mentalidade fascista continua em pleno em Portugal. O "José", personagem que me é totalmente desconhecida, ou é fascista puro e duro ou é totalmente ignorante ou é uma alcunha para o Schauble. Em Portugal existem PENSÕES e diversas subvenções que nada têm a ver com a Segurança Social ou com a CGA enquanto regimes contributivos. As pensões de reforma/aposentação atribuídas pela Segurança Social e pela CGA são decorrentes do depósito mensal das contribuições dos trabalhadores e das entidades patronais. Se alguém recebe como pensão 5000, 8.000 ou mais euros mensais, quer dizer que efectuou descontos sobre ordenados que rondaram uma média mensal de 7.500, 12.000 ou mais euros. Pode-se e deve-se discutir a existência de leques salariais como os existentes no País, o resto é apenas propaganda liberal, e esta é sempre de direita!
Quanto à Grécia, mais propaganda. Na verdade foi a direita e o centro que andaram a mascarar contas, com o total apoio da governação europeia. Quem beneficiou com tais subterfúgios não foram seguramente os trabalhadores gregos, quem agora sente bem na carne o que é a Europa, a do euro e a dos 28 a caminho dos 27: roubo de salários e pensões para aumentar dividendos aos patrões, entrega ao capital da propriedade pública para alimentar as multinacionais, destruição de facto de uma sociedade que vive na penúria! Todos? É claro que não! Lá como cá, houve quem tenha aumentado a sua fortuna, lá como cá aumentaram os dividendos aos accionistas e diminuiu a fatia do rendimento entregue aos trabalhadores, lá como cá a destruição do tecido produtivo foi assustadora, sem criação de quaisquer alternativas, porque o que é preciso é importar submarinos e carros da Alemanha,legumes da França e da Holanda e lacticínios da Polónia!

david estêvão disse...

Ui reductor maximus... e uma menção aos Niarcos, Onassis e Livanos e outros que tais?

Anónimo disse...

Em outros tempos, antes do 25 de Abril de 1974 a miséria era tanta que nem dava para pensar que vivíamos em plena miséria. Hoje, com alguma sorte, conhecemo-la, mas na Grécia… Va´ la´ o Diabo tece-las!
Por que um dia sonhámos com Liberdade, nos organizamos e lutamos para a obter, e´ nosso dever fazer o mesmo para uma segunda Libertação. Porque do que se trata e´ mesmo da libertação de Portugal e dos portugueses desta “Tirania” que se intitula de U.E.
O que se passa não e´ uma simples Romanização do território Europeu, mas sim da “Ocupação” física e mental em todas as esferas da vida humana. de Adelino Silva

Anónimo disse...

Estranho .

Então Jaime Santos só fala na Venezuela? E não fala no macron? Ou na camisa rasgada?

A resposta vem rápida a Jaime Santos. Mas este não contrapõe uma palha a esta desgraça que acometeu a Grecia. Chama-se a isso conivência.

Lembra-se Jaime Santos quando santificava Tsipras pela sua traição? E agora este silêncio? Esta vil miséria de quem não tem outras alternativas a apresentar?

Depois quando as águas rebentarem os diques, a quem apresentar a conta? O brexit foi uma bofetada de luva branca a quem defendia, como JS, o caminho do "gradualismo" inglês.

Só não vê quem não quer ver. O PS francês , que abriu caminho a le Pen como se sabe, teve a sorte que quis. Esperemos que os que restam enfileirem na esquerda contra o fascismo e os banqueiros do directório europeu.

Porque a terceira volta das eleições francesas existe. E aí com toda a força os insubmissos estarão presentes

Anónimo disse...

Um belíssimo comentário caro José Peixoto. A coroar um post, como sempre lúcido de João Rodrigues. Embora desencantado.

Quanto às três hipóteses que coloca para quem está por detrás do nickname "Jose"...é possível que sejam as três.

Anónimo disse...

"Ricamente majoradas pensões"?

José Peixoto já respondeu de forma lapidar ao sujeito que era perito patronal, em representação dos patrões para a área laboral. Os fundos sociais europeus foram utilizados para pagar a estas coisas

Donde se vê o nível de quem nomeia estes tipos como peritos. Donde se vê a qualificação de tais peritos.

As estatísticas não mentem. Temos os patrões mais desqualificados, mais ignorantes, mais grunhos, mais pato bravos de toda a europa. E aqueles que tiram um canudo fazem-no à Relvas. Ou apresentam os padrinhos e os papás , industriais sob a protecção da velha cepa salazarista, como prova académica do que afinal não passa dum logro

Anónimo disse...

Mas há mais:

A desonestidade continua nesta frase :
"Os gregos pelo menos tiveram a sensatez de admitiram que andaram décadas a abandalhar tudo o que pode referir-se como 'sã organização económica e social'.

Releve-se o português do sujeito em causa. Mas ..." os gregos pelo menos tiveram a sensatez de..."?

Mas que gregos? Como se generaliza o universo a partir duns quantos? E quem são estes "quantos"? Os que traíram o povo grego' Os que se açambarcam com o trabalho escravo do povo grego? os credores do povo grego? os fdp que governaram o povo grego e que mascararam o que se passava?

Estas generalizações apressadas são a marca da violência ideológica, desinformativa e claramente mentirosa que abunda nos bas-fond ligados aos meios da direita e da direita-extrema. Corresponde à degradação ética de quem não tem qualquer prurido em agir desta forma. E cujo produto pode ser encntrado por aí, nos pasquins baixos que enxameiam a comunicação social e as redes sociais.

Anónimo disse...

Já não vos vemos gregos
Somos os maiores a conjeturar sobre outros povos, Fazem lembrar o filósofo árabe Ibn Roshd que dizia ao seu interlocutor: vês um cisco no olho do teu vizinho e não vez o argueiro na frente dos teus olhos…
Hoje, como sempre, os intérpretes do capital são pagos para camuflarem as diversas formas como este se apresenta. Vejam la´ esta: Alguém se lembra que um colega de De Gaulle, o Sr. Robert Schuman, apôs a sua assinatura com Petain no “Armistício da Vergonha”, e depois, alguns anos mais tarde, fundou a Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia); uma organização supra-nacional imaginada dentro do modelo nazista da «Nova Ordem europeia», contra a União Soviética e, hoje, contra a Rússia? Aí esta´! Nem sonham! Ate´ a historia e´ sonegada! de Adelino Silva

Jose disse...

«...que rondaram uma média mensal ...»

Onde a memória dos melhores 5 dos últimos 15, ou algo parecido para pior?
E as colocações em final de carreira para aumentar a mama?
E os pagamentos à SS em pacotes para que a mama cresça em investimentos de rentabilidade tal que envergonhariam os trengos da Goldman Sachs?

Falam de reformas como se fossem capitalização de poupanças e pela maior parte são compra de votos sustentados a dívida.
E continua a pergunta de treteiros: não acham justo que...?
Quem vier atrás que feche a porta.

Anónimo disse...

Aquando das obras de restauro do Pártenon em Atenas, com apoio estadunidense, descobriu-se debaixo de escombros uma “Roda Dentada” com aproximadamente 3 mil anos. Isto quer dizer que os gregos com seus saberes fizeram Historia e da grande; este achado mostra que a “Era Industrial” poderia ter começado muito mais cedo, que consequentemente, os “manda-chuva” de sempre tudo fizeram para manter o esclavagismo, como agora querem fazer recuar as conquistas culturais da humanidade.
Enquanto não assimilarem os progressos das sociedades humanas, tanto faz que sejam de esquerda como de direita, não passa de uma questão de semântica. de Adelino Silva

Jose disse...

Adelino, os patrões gregos esconderam a roda dentada!
C'um caraças!!!!!

Anónimo disse...

Herr jose volta ao bla.bla de patrão ressabiado.

E desta forma tão destrambelhada e patética, fora de si e em paroxismos histericos, volta à baila com a Goldman-Sachs.

Num exercício de branqueamento e de cumplicidade com tais sacanas e de amor ideológico pelos seus crápulas.

Creio que escreveu um poeminha a idolatrar um deles, o António Borges. E outro a Barroso.

Anónimo disse...

Mas veja-se como se esconde.Como diz nada aos números do saque que os da sua classe protagonizaram

E num exercício de verdadeiro contorcionista de circo até invoca os patrões gregos. Com a lágrima da ordem da cunplicidadede de classe.

Ah este ódio à segurança social de quem trabalha por parte de quem frequenta e elogia os prostíbulos fiscais

Anónimo disse...

Sobra o silêncio comprometido sobre o denunciado.

Sobra o olhar de gula dos interesses privados sobre a Segurança social.

Sobra a inaudita manobra de silenciar que os ricos estao cada vez mais ricos e o o produto da riqueza em cada vez menos mãos.

Como herr jose laudava o não pagamento de impostos do Borges? Os seus rendimentos? Os dos pulhas que fugiam às suas contribuições fiscais para prosseguir com o saque dos seus assalariados?

Gostava de outras portas herr Jose. A dos calabouços da Pide que elogiava. A dos palacios dum patronato reles e caceteiro chafurdando em piscinas privadas cheias de fraudes.

Também fiscais, obviamente